Feira de Santana

Primavera 2026: previsão do clima em todas as regiões do Brasil

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Imagem: divulgação · Vibe News

A Climatempo, alinhada com os principais centros de análise climática do mundo, alerta que o El Niño da primavera de 2026 poderá ser o mais intenso já registrado pela ciência, pelo menos desde 1950.
Embora a influência do fenômeno já venha sendo sentida desde o início do inverno, é durante a primavera que os impactos do El Niño ficarão mais evidentes no Brasil.

clima no Brasil e no mundo vai sentir os efeitos de um El Niño sem precedentes, com uma intensidade que os meteorologistas e climatologistas ainda não conhecem.

A última primavera no Hemisfério Sul com a influêncoa de um El Niño foi a de 2023. Naquela primavera, a temperatura chegou aos 35°C em Curitiba, aos 37,7°C em São Paulo, 42,5°C no Rio de Janeiro, 39,7°C em Goiânia. Em Cuiabá, a temperatura chegou aos 44,2°C, no dia 19 de outubro de 2023, estabelecendo o novo recorde histórico de calor da capital de Mato Grosso. A região de Porto Murtinho, cidade de Mato Grosso do Sul na fronteira com o Paraguai, foi um dos locais mais quentes do país na primavera de 2023, com vários dias com temperatura entre 40°C e pouco mais de 43°C. Nos dias 17 de outubro e 16 de novembro, Porto Murtinho registrou 43,4°C.

Em praticamente todo o país, a Climatempo prevê temperaturas médias acima e muito acima do normal. As regiões mais quentes devem ser o extremo norte de Minas Gerais, o norte de Goiás e de Mato Grosso, o interior dos estados do Nordeste, Tocantins, Pará, leste do Amazonas e Roraima. Estas regiões devem experimentar muitos dias com calor acima dos 40°C.

A temperatura média da primavera de 2026 deve ficar dentro a um pouco abaixo da média no sul e leste de Mato Grosso do Sul, no centro-oeste e sul de São Paulo, no Paraná e em Santa Catarina. O excesso de nebulosidade, a chuva e a presença de ar frio de origem polar vão deixar a temperatura abaixo do normal no Rio Grande do Sul.

Como ficará a chuva na primavera de 2026 no Brasil?

Um dos impactos esperados em anos de El Niño é o aumento da chuva no Sul do Brasil e, ao mesmo tempo, a redução das precipitações sobre as regiões Norte e Nordeste, o que causa o prolongamento do período seco natural. O El Niño muito forte da primavera de 2026 vai acentuar essas características.

Anomalia de precipitação prevista para a primavera de 2026 no Brasil, conforme previsão da Climatempo

A Climatempo prevê uma primavera com muita chuva em todo o Sul do Brasil. Os temporais serão frequentes nos três estados. A chuva deve ficar acima da média em todos os meses da estação.

Os estados de São Paulo e de Mato Grosso do Sul também terão uma primavera com mais chuva do que o normal, com grande risco de temporais frequentes, especialmente na passagem de frentes frias. Áreas como o Sul do Rio de Janeiro, Sul de Minas, Triângulo Mineiro e Sul de Goiás também devem ter um pouco mais de chuva do que o normal.

Em todas as outras áreas do Centro-Oeste e do sudeste do Brasil, nas Regiões Nordeste e Norte, a primavera de 2026 terá chuva abaixo da média. A deficiência de precipitação deve ser notada nos três meses da estação. Maranhão, Piauí, Bahia e Tocantins, estados que compõem a região agrícola conhecida como MATOPIBA, podem ter um desempenho agrícola comprometido por causa da falta de chuva e excesso de calor.

Pontos de atenção especiais na primavera 2026

  • A deficiência de precipitação esperada para o Pará e para o Amazonas deve comprometer a navegabilidade dos rios, causando transtornos para a população ribeirinha e problemas para o transporte de carga e de pessoas.
  • O calor muito acima do normal e a chuva abaixo da média no centro-norte do Brasil vão prolongar o período seco e aumentar o risco para o alastramento de queimadas.
  • Os agricultores devem ter atenção redobrada para a necessidade de irrigação especialmente no período inicial da implantação da nova safra de grãos.
  • O excesso de calor e a irregularidade da chuva poderão comprometer a produtividade em muitas áreas do Centro-Oeste e do Sudeste do Brasil.
  • O risco de ondas de calor aumenta bastante em outubro, especialmente na segunda quinzena, e continua elevado em novembro e em dezembro.
  • Aumento do risco de alastramento de focos de fogo por causa do excesso de calor, dias de baixa umidade e falta de chuva.
  • A formação de um evento de Zona de Convegrência do Atlântico Sul (ZCAS) durante a primavera de 2026 é muito pouco provável. A ZCAS é um dos principais sistemas meteorológicos provedores de chuva volumosa sobre o Brasil, especialmente para áreas do Norte, do Centro-Oeste e do Sudeste.

Destaques regionais da primavera de 2026

Região Sul

Primavera tempestuosa, sobretudo no interior da região Sul. No começo da estação, o maior destaqueserá para a chuva no Paraná; depois, o foco da chuva se desloca cada vez mais em direção ao Rio Grande do Sul. No conjunto dos três meses, os maiores excessos de precipitação serão no oeste, sul e sudoeste do Paraná, oeste e meio-oeste de Santa Catarina e norte e noroeste do Rio Grande do Sul. A preocupação com chuva excessiva se mantém elevada em novembro e em dezembro. Nas áreas mais chuvosas, nebulosidade e passagem de ar frio podem manter temperaturas próximas ou abaixo da média.

Região Sudeste

São Paulo alterna calor intenso e temporais, com risco elevado de tempo severo. Sul de Minas, Triângulo Mineiro e Rio de Janeiro também merecem atenção aos temporais, especialmente em outubro e em novembro. Na maior parte de Minas Gerais, Espírito Santo e em grande parte do Rio de Janeiro, os dias quentes vão predominar em relação aos dias com chuva. Belo Horizonte tem calor prolongado e chuva mal distribuída. No litoral do Sudeste, destaque para picos de calor pré-frontal.

Região Centro-Oeste

Mato Grosso do Sul tem mais episódios de chuva do que Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal, mas também períodos muito quentes e redução gradual da regularidade das precipitaçoes. Em outubro, o sul de Goiás e o sudeste de Mato Grosso terão pancadas de chuva de forma bastante irregular e diminuindo no fim do mês. Em Mato Grosso, Goiás e no Distrito Federal, a chuva demora a regularizar e os veranicos continuam.

Região Norte

Estação seca mais intensa e prolongada, com calor excessivo e chuva abaixo da média em toda a Região, inclusive na faixa norte e costa norte. Destaque para temperaturas muito acima do normal e persistente no leste do Amazonas e no noroeste do Pará. Belém ainda terá pancadas de chuva localizadas, mas que não atingirão toda a cidade e nem terão ocorrência diária garantida. Em Manaus, a transição para o período chuvoso em novembro e dezembro deve ser pouco clara. A recuperação dos rios será lenta.

Região Nordeste

Predomínio de calor intenso e pouca chuva, principalmente no interior. A região conhecida como MATOPIBA (região entre o oeste da Bahia, sul do Maranhão e do Piauí e o Tocantins) preocupa pelo atraso ou enfraquecimento da chuva numa época importante para seu retorno, pois a primavera é época do início do plantio de novas safras. Teresina terá calor intenso praticamente diário e quase nenhuma chuva. Salvador pode ter episódios de chuva intensa, potencializados pelo mar aquecido junto à Bahia. A primavera é uma estação de pouca chuva no Nordeste, mas o clima seco será uma característica acentuada este ano.

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