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Qual é a origem da celebração da quarta-feira de cinzas na igreja

Foto Ilustrativa: cancaonova

A Igreja, desde os primeiros tempos, continuou a prática do uso das cinzas com o mesmo sentido penitencial. Em seu livro “De Poenitentia” , Tertuliano (160-220 d.C), prescreveu que um penitente deveria “viver sem alegria vestido com um tecido de saco rude e coberto de cinzas“. O famoso historiador dos primeiros anos da igreja, Eusébio (260-340 d.C), relata em seu livro “A História da Igreja”, como um apóstata de nome Natalis se apresentou vestido de saco e coberto de cinzas diante do Papa Ceferino, para suplicar-lhe perdão. Sabe-se que num determinado momento existiu uma prática que consistia no sacerdote impor as cinzas em todos aqueles que deviam fazer penitência pública. As cinzas eram colocadas quando o penitente saía do Confessionário.

Já no período medieval, por volta do século VIII, aquelas pessoas que estavam para morrer eram deitadas no chão sobre um tecido de saco coberto de cinzas. O sacerdote benzia o moribundo com água benta dizendo-lhe: “Recorda-te que és pó e em pó te converterás“. Depois de aspergir o moribundo com a água benta, o sacerdote perguntava: “Estás de acordo com o tecido de saco e as cinzas como testemunho de tua penitência diante do Senhor no dia do Juízo?” O moribundo então respondia: “Sim, estou de acordo”. Se podem apreciar em todos esses exemplos que o simbolismo do tecido de saco e das cinzas serviam para representar os sentimentos de aflição e arrependimento, bem como a intenção de se fazer penitência pelos pecados cometidos contra o Senhor e a Sua igreja.

Foi a partir de todas essas experiências que a celebração da Quarta-Feira de Cinza foi surgindo na Igreja. Era um gesto aplicado aos penitentes, que marcavam sua entrada em um tempo de arrependimento para a reconciliação, celebrado na Quinta-feira Santa. Naquela época, o sacramento da reconciliação era celebrado apenas uma vez na vida. Considerado uma « segunda salvação » para os batizados que tenham cometido uma infração grave, foi precedida por uma penitência particularmente rigorosa, marcada pela mortificação corporal. A partir do século XI, o gesto da imposição das cinzas, parte de um rito menos rigoroso, foi estendido a todos os cristãos no caminho para a Páscoa.

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