Juliette congelará óvulos: entenda o procedimento

Redação Vibenews

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A ex-BBB e cantora Juliette, de 34 anos, anunciou em postagem nas redes sociais que está no início do processo de congelamento de seus óvulos. “Não sei se eu já comentei com vocês que eu vou começar o processo de congelamento de óvulos, porque a ‘gata’ já está com 34 [anos] e eu quero ter liberdade”, contou.

Na sequência, ela comentou ainda sobre os primeiros passos do processo: “Comecei tomando essas vitaminas, depois vou fazer exames. Em seguida, vou tomar injeções e depois colher [os óvulos]. É muita coisa, mas o poder de escolha é muito bom”, disse.

Como funciona o congelamento de óvulos?

O procedimento consiste em captar os óvulos da mulher e armazená-los numa temperatura de 196ºC negativos. Edson Borges Jr, Diretor Médico do FERTGROUP e Diretor Científico do Instituto Sapientiae e do Centro de Estudos e Pesquisa em Reprodução Assistida, esclarece que para a realização do processo de congelamento de óvulos, é inicialmente feito a indução da ovulação através de medicamentos que estimulam o desenvolvimento e amadurecimento dos óvulos.

Em seguida, com a paciente sedada, é feita a coleta dos óvulos para posteriormente ser realizada a seleção daqueles que estão saudáveis. “Quanto ao congelamento, a técnica é feita com nitrogênio líquido, mantendo os óvulos à disposição da paciente para uma gravidez no futuro”, diz.

O médico esclarece que, em geral, uma mulher nasce com uma reserva de aproximadamente 2 milhões de óvulos, cuja perda evolutiva começa já no início de vida. Quanto mais tempo passa, além da redução na quantidade, há também diminuição na qualidade devido ao envelhecimento e enfraquecimento dos óvulos. Por isso, é indicado que o tratamento seja realizado idealmente até os 35 anos.

“É um procedimento simples, mas mesmo assim a quantidade de mulheres que congelam óvulos ainda é muito pequena. Cerca de 10% das mulheres com 35 anos já perderam a capacidade de engravidar. Então, realmente a paciente precisa vir mais cedo para congelar os óvulos”, aconselha Edson Borges Jr.

O cenário

De acordo com um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres têm engravidado cada vez mais tarde no Brasil. Nos últimos 10 anos, o aumento na faixa etária que vai dos 35 aos 39 anos foi de 63%, enquanto a taxa de nascimentos entre mães com até 19 anos caiu 23% no mesmo período. Para essas brasileiras, o desejo vem ligado a um projeto de vida maior, no qual ter filhos significa aumentar a família e dar continuidade às suas gerações como parte de uma jornada planejada.

Em partes, esse movimento vem acompanhado dos avanços na ciência que permitem que a definição sobre o melhor momento para engravidar não tenha o relógio biológico como uma barreira. Segundo dados do FERTGROUP, grupo de clínicas referência em Medicina Reprodutiva no Brasil e na América Latina, as brasileiras têm procurado tratamentos de fertilidade por volta dos 37 anos. Isso mostra, de acordo com Edson Borges Jr, que essa mudança de comportamento também traz consigo a necessidade de mais informação sobre as alternativas de acompanhamento da fertilidade.

“O recomendável é que esse acompanhamento entre no check-up da mulher antes dos 30 anos. Mesmo sendo um plano futuro, é importante ter as informações necessárias para que se possa planejar alternativas conforme os desejos da paciente. Quando há uma maior espera na tomada de decisão da gestação e não é realizado um planejamento, as chances de sucesso dos tratamentos de fertilidade podem ser menores”, comenta.

Dentre os possíveis exames solicitados para esse acompanhamento, os mais comuns são:

  • Exames hormonais, para avaliação da reserva ovariana
  • Ultrassom transvaginal, para a avaliação dos ovários e útero
  • Avaliação laboratorial das infecções sexualmente transmissíveis (IST)

“Através deste primeiro passo, analisamos os resultados e, se houver necessidade, podemos solicitar novos exames para aprofundar esse check-up. A mulher tem uma perda progressiva da qualidade e quantidade dos óvulos, que acaba se intensificando com a idade, por isso, esse monitoramento é muito importante para prevenir, diagnosticar ou se adequar às mudanças futuras no estilo de vida “, explica o médico.

Devo me planejar financeiramente?

Dentro do planejamento familiar, é preciso ainda ir além da orientação. Ter um olhar que englobe a organização financeira também é um passo importante na decisão de ter filhos.

“Felizmente, temos hoje possibilidades na medicina reprodutiva que permitem tomar decisões mais assertivas quanto ao desejo de ter filhos no futuro. E, quando esse planejamento é realizado de forma integral, é possível ter acesso às melhores opções, além de contar com uma maior segurança em caso de imprevistos”.

Até quando é possível adiar a gestação?

Segundo uma pesquisa recente realizada pela WIN, uma provedora de benefícios de construção familiar, com mil mulheres norte-americanas que decidiram adiar a maternidade para após os 35 anos de idade, foi mostrado que relacionamentos, estilo de vida e questões financeiras foram os principais precursores para essa escolha.

Contudo, para tomar a decisão com uma maior segurança, mesmo que ainda haja a incerteza sobre o desejo ou não de ter filhos, o acompanhamento da fertilidade no check-up da mulher pode auxiliar em possíveis alternativas, como é o caso do congelamento de óvulos.

“O congelamento geralmente é indicado a partir dos 30 anos, mas isso não impede que ele possa ser realizado antes. Ou seja, quanto mais jovem for a paciente, melhor será a qualidade dos óvulos”, destaca.

Vale lembrar ainda que não existe uma idade exata para que a paciente use seus óvulos congelados, caso apresente uma boa condição de saúde. Contudo, o Conselho Federal de Medicina (CFM) recomenda que sejam utilizados antes dos 50 anos, para uma maior segurança da saúde da paciente e do bebê.

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