O início do ano costuma ser um período crítico para o orçamento familiar, devido a despesas racionais, como IPTU, IPVA e material escolar. Com isso, muitos consumidores acabam recorrendo ao crédito para cobrir as despesas, mas encontram dificuldades para manter os pagamentos em dia. O número de consumidores inadimplentes no Brasil voltou a crescer em janeiro deste ano, atingindo mais de 68 milhões de pessoas.
De acordo com dados do indicador de inadimplência da CNDL, Confederação Nacional de Dirigentes Logistas e SPC Brasil, Serviço de Proteção ao Crédito. Mérula Borges, especialista em finanças na CNDL, destaca os setores credores que tiveram aumento e os fatores que contribuíram para o crescimento da inadimplência. Destacaram-se a evolução das dívidas com o setor de bancos, que teve crescimento de quase 8%.
“O cartão de crédito é uma opção muito mais utilizada. Criada pelos consumidores, assim como cheque especial e outras linhas de crédito que são tomadas diretamente com os bancos. E aí é natural que os bancos sejam os maiores credores. Esse aumento da inadimplência vem tanto por uma questão de educação financeira que não pode ser ignorada, mas principalmente por questões com os juros muito altos e a inflação também subindo, especialmente no caso dos alimentos, fica mais difícil fechar o orçamento no fim do mês, já que as contas básicas ocupam mais espaço no orçamento das famílias.”
A especialista em finanças na CNDL orienta o que o consumidor pode fazer para sair das dívidas.
“Para ficar livre das dívidas, o consumidor precisa melhorar o seu planejamento financeiro, fazer um levantamento completo das dívidas antes de partir para a negociação e negociar diante daquilo que ele pode pagar. Não adianta comprometer o pagamento das contas básicas com a parcela da dívida, porque aí não vai funcionar. E o consumidor vai acabar descumprindo esse acordo, voltando para uma situação que pode ser pior do que a situação inicial.”
O indicador ainda aponta que, em janeiro, o número de devedores estava na faixa etária de 30 a 39 anos e que cada consumidor negativado devia, em média, R$ 4.490. Em janeiro, o número de dívidas em atraso no Brasil teve crescimento de 4,51% em relação ao mesmo período de 2024.