Trinta de março é o Dia Mundial do Transtorno Bipolar. Uma iniciativa que promove a conscientização e o incentivo ao financiamento de pesquisas sobre a doença. Conforme os dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que a patologia afete por volta de 140 milhões de pessoas ao redor do planeta.
O transtorno bipolar é caracterizado por mudanças bruscas de humor, com alternâncias entre períodos de depressão e de euforia – dividindo-se esta última em “mania” e “hipomania”, conforme a intensidade do sintoma – ou com a prevalência de sentimentos mistos.
De acordo com a Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata), pacientes com a doença têm chances maiores de atentarem contra a própria vida do que pessoas que sofram com outros distúrbios mentais.
O quadro depressivo engloba um rol vasto de sintomas, como alterações de apetite resultando em ganho ou perda de peso, tristeza, apatia, perda de interesse por atividades antes prazerosas e tendência a se isolar. Também pode ser marcado por fadiga, ansiedade, irritabilidade, agitação ou retardo psicomotor, sentimento de culpa e pensamentos recorrentes de morte ou suicídio.
Em outro extremo, os sintomas da euforia incluem a sensação de intenso bem-estar, hiperatividade, aceleração de pensamento e fala – ocorrendo “fuga de ideias”, quando o indivíduo não consegue manter a linha de raciocínio –, diminuição da necessidade de sono, aumento da energia, da desinibição e da impulsividade. Também são comuns, durante as síndromes maníacas, ocorrências de paranoia e hipersexualidade. É normal pacientes com transtorno bipolar formarem ideações de grandiosidade sobre si mesmos.
Tipos de transtorno bipolar e tratamento
De acordo com o Ministério da Saúde, é possível estabelecer quatro subdivisões da doença conforme a intensidade e a cronicidade dos sintomas. No tipo I do transtorno, considerado o mais grave, o paciente apresenta períodos de mania acompanhados de depressão. Os sintomas são intensos e provocam grandes mudanças comportamentais na pessoa. No transtorno bipolar tipo II, por sua vez, há alternância entre episódios de depressão e de hipomania, uma forma mais branda da mania.
Há ainda o chamado “transtorno ciclotímico”, tido como o quadro mais leve da doença. É marcado por oscilações crônicas de humor, por vezes num só dia, havendo a alternância entre a hipomania e a depressão leve. O transtorno bipolar não especificado pode aparecer por consequência de outras patologias ou pelo abuso de substâncias.
Tratamento
O tratamento é altamente individualizado, variando de acordo com cada paciente, e deve combinar uma abordagem multidisciplinar. Medicamentos são utilizados no tratamento de episódios de mania e de depressão e também na prevenção de recaídas.
Além disso, a especialista reforça que é essencial manter um estilo de vida saudável. Estratégias de autocuidado, como manter uma rotina regular de sono, praticar exercícios físicos, evitar o consumo excessivo de álcool e drogas ilícitas e seguir uma dieta equilibrada, também são importantes para promover o bem-estar geral e reduzir a frequência de episódios do transtorno bipolar.