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Arrecadação federal bate recorde em fevereiro e soma R$ 222,1 bilhões

A arrecadação total das receitas federais alcançou R$ 222,1 bilhões em fevereiro, alta real (já descontada a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo — IPCA) de 5,68% sobre o resultado de igual período de 2026 (R$ 202,5 bilhões). Em termos nominais, houve crescimento de 9,71%.

No acumulado dos dois primeiros meses do ano, a arrecadação federal somou R$ 547,9 bilhões, elevações de 4,41%, em termos reais, e de 8,79%, em termos nominais, na comparação com os R$ 503,6 bilhões apurados no primeiro bimestre do ano passado.

Os valores arrecadados, tanto em relação a fevereiro quanto para o primeiro bimestre, representam o melhor desempenho arrecadatório apurado desde 1995 (início da série histórica) . “É o melhor fevereiro da série; também o melhor resultado acumulado do bimestre em toda a série”, destacou o chefe o Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros (Cetad) da Receita Federal, Claudemir Malaquias.

As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (24/03) pela Receita Federal em entrevista coletiva realizada no Ministério da Fazenda, em Brasília.

Os dados foram apresentados e detalhados por Claudemir Malaquias e pelo coordenador de Previsão e Análise da Receita Federal, Marcelo Gomide, auditores-fiscais da Receita Federal. A entrevista foi presencial e contou com transmissão ao vivo, pelo canal do Ministério da Fazenda no YouTube.

Confira o material com os dados da arrecadação federal de fevereiro de 2026 .

Detalhamento

A principal fonte de arrecadação em fevereiro foi a receita previdenciária, com R$ 60,5 bilhões, alta real de 5,68% ante os R$ 57,3 bilhões apurados em fevereiro de 2025.

Em segundo lugar ficou Cofins / PIS-PASEP [Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social /Programa de Integração Social / Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público], com R$ 47,7 bilhões no mês passado (elevação de 8,45% na comparação com os R$ 44 bilhões registrados em igual mês de 2025.

A terceira posição foi ocupada por IRPJ /CSLL [Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas / Contribuição Social sobre o Lucro Líquido], com R$ 34,5 bilhões em fevereiro deste ano (retração de 5,49% frente os R$ 36,5 bilhões verificados em fevereiro do ano passado.

No acumulado do bimestre, a principal fonte de arrecadação foi o IRPJ/CSLL (R$ 136,4 bilhões), receita previdenciária (R$ 124,4 bilhões) e Cofins/PIS-PASEP (R$ 104,1 bilhões).

Conforme apontou o coordenador de Previsão e Análise, Marcelo Gomide, a arrecadação com IRPJ e CSLL está alinhada ao esperado, já que muitas empresas fazem recolhimento desses tributos até março (em ajuste ao resultado apurado no ano anterior), conforme é permitido pela legislação.

Fatores

Na comparação entre fevereiro deste ano com igual período de 2025, há uma série de destaques que explicam o desempenho da arrecadação no mês passado, a começar pelo comportamento dos principais indicadores macroeconômicos.

A venda de bens em janeiro de 2025 subiu 1,14%; a venda de serviços subiu 3,34% e a massa salarial subiu 8,51%, sempre na comparação com janeiro de 2025. Já a produção industrial de janeiro de 2025 caiu 1,95% na comparação com igual mês do ano passado e o valor em dólar das importações recuou 1,24%.

Além do comportamento dos indicadores macroeconômicos, outros fatores também impactaram a arrecadação de fevereiro. A Receita destaca a elevação da arrecadação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), em razão de alteração na legislação do tributo por meio do Decreto nº 12.499/2025 .

Houve também crescimento real de 19,44% na arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) — Capital, em movimento impulsionado, principalmente, sobre os títulos de renda fixa (53,65%).

A Receita aponta, ainda, crescimento da arrecadação do PIS/Pasep e Cofins, em função do crescimento do setor de serviços e do desempenho do setor ligado a extração de petróleo.

“No caso do PIS e da Cofins, boa parte desse crescimento está relacionado ao crescimento da atividade econômica. Temos percebido a resiliência do setor de serviços. No caso da contribuição previdenciária, temos dois fatores: o primeiro é o próprio comportamento da massa salarial, mas também temos de lembrar que a desoneração da folha está se reduzindo em relação a 2025. O crescimento do IOF se deve à alteração de legislação tributária que ocorreram na metade do ano passado, levando a um crescimento significativo na arrecadação das operações do IOF com o crédito e com câmbio”, detalhou Marcelo Gomide.

Considerando o resultado acumulado do primeiro bimestre, a Receita Federal destaca que houve, ainda, impactos gerados pelo crescimento da arrecadação do IRRF sobre o Capital em função do desempenho da arrecadação de renda fixa (+54,41%) e sobre os Juros Remuneratórios sobre o Capital Próprio — JCP (+38,91%).

Para o bimestre, ponto importante também foi o desempenho da arrecadação da contribuição previdenciária decorrente do aumento real da massa salarial e da redução da desoneração da folha.

Setores

A Receita Federal também apresentou informações sobre a participação das divisões econômicas na arrecadação (pela Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE), exceto receitas previdenciárias. Sob tal critério, a principal origem da arrecadação em fevereiro foi a de entidades financeiras, com R$ 26,6 bilhões, alta real de 13,75% sobre os R$ 23,4 bilhões em igual mês do ano passado.

O comércio atacadista ocupou o segundo lugar, com arrecadação de R$ 13,4 bilhões no mês passado, ante R$ 12,9ebilhões no mesmo período de 2025 (elevação de R$ 3,76%).

Outro destaque envolve o segmento de “atividades de exploração de jogos de azar e apostas”, responsável pela arrecadação de R$ 1,031 bilhão em fevereiro deste ano, ante R$ 701 milhões em igual mês do ano passado. É um salto de 47,08 %, fruto, principalmente, da regulamentação aplicada sobre o setor.

Claudemir Malaquias explicou o motivo da elevação do recolhimento do setor de extração de petróleo e gás natural (que atingiu R$ 7,343 bilhões em fevereiro deste ano, ante R$ 904 milhões, em fevereiro do ano passado). “No final do ano passado, a principal empresa do setor de petróleo do País alterou a sua CNAE principal. Antes era refino de petróleo e passou a ser extração de petróleo”, explicou o auditor-fiscal. Ou seja, houve uma mudança de classificação, escolha que cabe a cada contribuinte, em mudança que não gera qualquer mudança na tributação final.

Receitas Administradas

Considerando dados referentes exclusivamente à arrecadação de receitas administradas pela Receita Federal, o recolhimento de fevereiro somou R$ 215,2 bilhões. Isso significa elevações de 6,17%, em termos reais, e de 10,22%, em termos nominais, sobre o resultado de igual mês de 2025 (R$ 195,3 bilhões).

As receitas federais administradas por outros órgãos somaram R$ 6,9 bilhões no mês passado, queda real de 7,46% e nominal de 3,93% na comparação com os R$ 7,2 bilhões apurados em fevereiro de 2025. Essas são receitas não regulares, que podem ou não se repetir de um período para outro.

No acumulado do primeiro bimestre, as receitas administradas pela RFB somaram R$ 528,4 bilhões, representando altas de 5,60%, em termos reais, e de 10,02%, em termos nominais, na comparação com o resultado dos dois primeiros meses de 2025 (R$ 480,3 bilhões).

Já as receitas administradas por outros órgãos alcançaram R$ 19,5 bilhões no primeiro bimestre de 2026, queda de 20,01%, em termos reais, e de 16,58%, em termos nominais, em relação aos R$ 23,3 bilhões registrados em igual período do ano passado.

Confira a entrevista coletiva de divulgação do resultado da arrecadação das receitas federais de fevereiro de2026.

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