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Cresce número de pessoas que concluíram faculdade trabalhando em postos que não exigem tanta escolaridade

Cresce no Brasil o número de pessoas com ensino superior completo trabalhando em postos que exigem menos escolaridade.

Uma análise realizada pelo Dieese, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do IBGE, revela que o número de pessoas em idade para trabalhar que tem ensino superior completo aumentou 14,9% entre 2019 e 2022 – o que equivale a cerca de 3,7 milhões de pessoas a mais.

A análise também mostrou que o número de pessoas que têm ensino superior completo que atualmente estão empregadas cresceu 15,5% entre 2019 e 2022

No entanto, segundo o Dieese, esse crescimento foi puxado, principalmente por ocupações que não exigem esse grau de escolaridade.

O percentual de pessoas que concluíram uma faculdade trabalhando como balconista ou vendedor de loja, por exemplo, aumentou 22%; em cargos de recepcionistas em geral, a alta foi de 26,5%

O estudo do Dieese fez também um recorte para motoristas e entregadores por aplicativo.

Dos 704 mil motoristas de aplicativo que atuam no país, cerca de 86 mil têm ensino superior completo; a maioria, no entanto, cerca de 461 mil, parou de estudar ao completar o ensino médio.

Entre os entregadores, do total de 589 mil, cerca de 70 mil completaram o curso superior.

O Dieese ressalta, no entanto, que os dados do estudo não devem servir de desestímulo para que pessoas cursem o ensino superior, mas são importantes para evidenciar problemas estruturais da economia brasileira e ampliar o debate sobre a importância de o país gerar postos de trabalho mais complexos.

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